sábado, 4 de julho de 2015

O Menino Grande . Um Poema de Sebastião da Gama

Os meninos brincando "no mar feito gelo" na Ilha de Uto- Finlândia          

.O MENINO GRANDE

Também eu, também eu,
joguei ás escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...

Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho;
os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me, dos tempos de menino,
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.

   (Sebastião da Gama - No, Boletim Cultural - 1990
 Na Rota das Palavras - Fundação Calouste Gulbenkian)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Cântico Fraterno - Um Poema de Miguel Torga


 CÂNTICO   FRATERNO

Chamo por ti.
Chamo por ti, com versos fraternais.
Nunca te vi,
Mas nascemos dos mesmos pais.

Chamo em nome da vida, que me ordena
Que te diga a verdade;
É o meu lenço que acena,
Mas o cais é de toda a humanidade.

Deixa as sombras e vem!
És homem  como eu sou, hás-de gostar
De pisar com desdém
A herança que não podes renovar.

O passado é o passado - já morreu.
Grande é o futuro, por nascer.
Nenhum fruto maduro prometeu
O que a semente pode prometer.

Do que foi embebedas a lembrança.
Do que há-de ser, estremeces!
Vindo, voltas a  ser criança;
Mas aí, apodreces.

Chamo por ti de manso,
Numa ordeira canção;
É uma ponte de sonho que te lanço...
Passa por ela, irmão!

  (Miguel Torga - 
  - no livro - Miguel Torga - Obra Completa
  Antologia Poética (Circulo dos Leitores)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Olá! "Alguém" de Rio Tinto

Fonte da imagem:pelalinhaferrea.blogspot.p

Prémio  ganho pela Estação de Rio Tinto - Gondomar - no Concurso "Estações Floridas" 
OLÁ! "ALGUÉM"  DE RIO TINTO

Em princípio, daqui em diante, reservarei as quintas-feiras para " me meter" com alguém que vem com muita frequência visitar este humilde espaço, e que eu não faço ideia de quem seja.
Todos os dias, no registo das dez últimas visitas, eu encontro "alguém" que vem de Rio Tinto.
Por isso, aqui e agora, quero saudar "esse alguém" , dizer-lhe: Muito Obrigada! e, enviar-lhe um grande a fraterno abraço

Tinha gosto em conhecê-lo/a.
Se acaso se quiser "revelar"...deixo aqui o meu contacto:

vivianabengelsdorff@gmail.com


quarta-feira, 1 de julho de 2015

E o mês de Julho chegou

A erva abelha - Fonte da imagem: www.naturophoto.cz.com
hipericão - Fonte da imagem: www.tuasaude.com

E O MÊS DE JULHO CHEGOU

Estas belas flores,  fazem parte dos "jardins  naturais", que podemos observar em Julho.
Encontram-se facilmente por aí pelos nossos campos. De salientar, que  nesta secretária onde escrevo, tenho bem juntinho a mim, uma linda jarra verde com hipericão florido, cor de oiro. Colhi-o há dias junto á minha Ribeira das Jardas.

O mês de Julho, que no nosso calendário é o sétimo, era originariamente o quinto mês do ano, e por isso os romanos lhe deram o nome Quintilis. O nome de Julius tomou-o posteriormente em honra de Júlio César, que nasceu neste mês.
De dois autores ingleses, partilho aqui com os amigos estes dois interessantes poemas:

"Dai-me o  canto da rola,
o riso ameno do trigo batido pelo vento,
a suave encosta dessa colina pastoril,
o ribeiro juncoso onde o gado se reune
vagueando e bebendo até se saciar"

   (Jean Ingelow)

"O amarelo da trevo estende-se pelas clareiras,
o amarelo da potentilha de folhas orvalhadas,
e o amarelo da perpétua. Amarelos estão
os montículos de musgo. O trigo, de colo azul,
baloiça até se tornar amarelo nos fardos.
Amarelo esverdeado, irrompe do matagal o alegre pica-pau.
Afiada como uma foice é a margem entre a luz e a sombra.
Ri o coração da terra, olhando para os céu.
Pensando na colheita, olho e penso na minha".
    (Amor no vale - .Meredith)

E já agora , aqui deixo um registe da naturalista Edith Holden,  de como se apresentou o dia 1 de Julho de 1906 - portanto faz hoje 109 anos:

Julho 1 -" Um dia agradável, embora sombrio, com  brisa de nordeste."

Curiosamente, muito igual ao dia de hoje aqui em Mira-Sintra.

(Do meu livro - A Alegria de viver com a Natureza de Edith Holden)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Futebol Nocturno - Michel Quoist

Estádio do Benfica
FUTEBOL NOCTURNO

" Os homens gostariam quase sempre de estar no tempo e no espaço, onde não estão.
Perigosa ilusão. O lugar de cada um no mundo é um desejo eterno do Pai em relação a ele.
Para que a sua vida tenha êxito, para que a Humanidade tenha êxito, graças a ele, o homem, cada homem deve estar o mais perfeitamente possível presente no  seu lugar.
Sua vida é uma obra Divina.
No Estádio esta noite...
...Logo que os reflectores tingiram de verde o veludo do imenso relvado
A noite entoou um coral alimentado por dez mil vozes.
É que o mestre- de - cerimónia dera o sinal para começar  o ofício....

...A bola branca rolava de oficiante para oficiante, como se tudo estivesse preparado de antemão, minuciosamente.
Passava de um para outro, corria pelo relvado ou voava por sobre as cabeças.
Cada um estava em seu lugar, recebendo-a por sua vez, com chutos compassados passava-a ao outro - e o outro lá estava para a receber e dar o passe.
E porque cada um fazia  o seu trabalho, no lugar onde era preciso.
Porque cada qual dava o esforço pedido, porque cada qual sabia  que precisava  de todos os outros,
Lentamente, mas com segurança, a bola ia avançando.
E, então, após ter recebido o labor de cada um.
Após ter reunido o coração dos onze jogadores.
A equipa atirou a bola
E marcou o tento da vitória...
...Eu pensava,  Senhor, que a história humana, para nós uma longa partida, era para Ti essa grande Liturgia.
Prodigiosa cerimónia começada na aurora dos tempos e que só terminará quando o último oficiante  tiver executado o seu gesto derradeiro.
Neste mundo, Senhor,  cada um de nós tem o seu lugar.
Treinador previdente, desde sempre no-lo destinavas.
Precisas de nós neste lugar, os nossos irmãos precisam de nós e precisamos de todos...
...Que eu esteja á frente ou atrás, isso que importa, se eu fôr ao máximo aquele que devo ser...
...Aqui está, Senhor, o meu dia á minha frente...
Não me refugiei por demais no meu canto, criticando os esforços dos outros, com as duas mãos enfiadas nos bolsos?
Guardei bem o meu lugar, e quando olhavas o nosso campo ter-me-ás lá encontrado a postos?
Recebi bem o passe do meu vizinho e o passe do outro lá no fim do rectângulo?
«Servi  bem os colegas  da equipa, sem fazer um jogo «pessoal» de mais para me pôr em evidência)

«Construí» o meu jogo para que a vitória fosse alcançada e todos contribuíssem?
Lutei até ao fim apesar dos insucessos, das pancadas, das feridas?
Não me perturbei pelas manifestações dos companheiros, dos espectadores? Não desanimei pelas incompreensões e recreminações?  Não me vangloriei com os aplausos?
Pensei em rezar durante a partida que jogava, sem esquecer que aos olhos de Deus este jogo dos homens é  o mais religioso dos ofícios?
Estou de volta agora, Senhor,  vou descansar no vestiário;
Amanhã, se deres sinal de saída, jogarei de novo um meio tempo.
E assim cada dia...
Faze que esta partida, celebrada com todos os meus irmãos,
seja  a imponente liturgia que Tu de nós esperas.
A fim de que,  quando deres  o último apito, interompendo as nossas vidas,
Sejamos seleccionados para a Taça do Céu.

(Michel Quoist - no livro - Poemas  para Rezar)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Miguel Oliveira vence Grande Prémio da Holanda em Moto3

O piloto português - Miguel Oliveira

«O piloto português Miguel Oliveira (KTM) venceu, este sábado, a prova de Moto3 do Grande Prémio da Holanda em motociclismo de velocidade, superando o francês Fabio Quartararo (Honda) e o britânico Danny Kent (Honda).
 
Miguel Oliveira, que arrancou do sexto posto da grelha de partida, assumiu a liderança da prova logo na primeira volta, mas teve de se aplicar a fundo para registar o seu segundo triunfo nesta categoria, sofrendo forte oposição até à linha de chegada
Com sete pilotos a lutar pela vitória, a alternância na liderança da corrida foi uma constante até final, principalnente com Fenati, Oliveira e Quartararo a dividirem o protagonismo, enquanto Danny Kent foi-se mantendo na expetativa, optando por atacar mais tarde, como já tinha sucedido na corrida anterior, em Montmelo, Espanha, que venceu.
Numa corrida emotiva, a entrada para a derradeira volta foi espetacular, com Oliveira a ultrapassar Navarro pelo interior e Quartararo a passar por fora.
Os dois pilotos mantiveram-se "colados" ao longo da volta e Miguel Oliveira, aproveitando todos os centímetros da pista, conseguiu superar Quartararo, festejando da melhor maneira a segunda vitória na sua carreira, depois de já ter vencido em Itália.»
   (http://www.jn.pt/)

Nota:

Ainda recentemente, aqui neste espaço, referi uma outra grande vitória do piloto português.
Pois hoje, com alegria e regozijo, volto a trazer até aqui, este jovem português, que é mesmo muito bom "na arte da Moto3.
Parabéns Miguel!
Vá em frente! Prossiga o seu sonho.
E que o bom Deus o guarde e proteja  nessa modalidade perigosa ( quanto a mim) que escolheu.
Um abraço
 
 

sábado, 27 de junho de 2015

"Fome Zero" de Verdade

 
“ Trabalhai não pela comida que perece, 
mas pela que subsiste para a vida eterna, 
a qual o Filho do homem vos dará; porque Deus, 
o pai, o confirmou com   o seu selo” (Ev. João 6:27)
«O milagre dos pães ainda estava presente na memória do povo. Algo extraordinário sem precedentes na história havia acontecido. Creio que todos se espantaram, inclusive o rapaz que ofertou sua refeição. A alimentação foi tão boa que comeram até se fartarem.
              Após este milagre Jesus foi orar, e no monte passou boa parte da noite em comunhão com seu Pai. De madrugada foi ao encontro dos discípulos em pleno mar, e lá os livrou do vendaval que se abatia na embarcação.
             Pela manhã as pessoas que foram alimentadas iniciaram buscas a fim de encontrá-lo, desejosos de nova alimentação. E não mediram esforços, pois usaram seus barcos para uma viagem até Cafarnaum, onde o encontraram. Estavam tão curiosas que desejavam saber como Jesus chegara até aquele lugar sem que elas soubessem.            
              Esta busca leva-me a pensar no interesse do ser humano, que quer de Jesus somente bênçãos materiais e se esquecem das prioridades da alma. E Jesus conhecia bem o intento de cada um deles, ao responder-lhes “Vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”.              
              Quantos estão desejosos por uma vida tranquila, farta, sem preocupações, e desejam Jesus somente para tais necessidades. Quantos se esforçam para alimentar o corpo cujo destino é a sepultura, onde voltará a ser pó. E Jesus apresenta-lhes a verdadeira sabedoria: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna”. Com isto Jesus não queria dizer que o trabalho para o sustento devia ser abandonado, mas que a prioridade para as coisas da alma, como crer nele, deveria ocupar o primeiro lugar.              
              Vale a pena todo desejo para receber uma nutrição espiritual, pois é o único alimento que não perece, e que não se desfaz na sepultura, e que nos leva à presença de Deus, sadios, fortes e bem nutridos. Com este precioso alimento, a fome deixará de existir, e o slogan tão falado hoje se tornará uma realidade “Fome Zero" de verdade”.»
(Que assim seja
Orlando Arraz Maz - No blogue http://arrazmaz.blogspot.pt/)