terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Salvação do Mundo - Um poema de Adolfo Casais Monteiro

O poeta português Adolfo Casais monteiro. Fonte da imagem: www.citador.pt.

A Salvação do Mundo

Os anjos levaram as igrejas...
Anjos envergonhados, de grandes asas tristes,
que fugiam, escondendo o rosto,
nas pregas dos mantos, que os incêndios enegreciam.
Levaram as igrejas, os santos e os milagres.
E os homens ficavam olhando o céu,
os homens que tinham deixado os anjos levar as igrejas,
de mãos postas, ajoelhados.
As mãos que eram para não deixar os anjos levar as igrejas.
Mas os homens já não sabiam,
e os anjos julgaram que eles não queriam as igrejas para nada.

A terra vazia e os homens de mãos postas, ajoelhados.

Então surgiram os anjos de extermínio.
E as longas espadas flamejantes
deceparam as cabeças dos homens ajoelhados,
que tinham fechado a porta das igrejas na cara da verdade.

Adolfo Casais Monteiro, in 'Simples Canções da Terra'
    
 ( www.citador.pt)

Adolfo Casais Monteiro, poeta, critico e novelista português, nasceu no Porto a 4 de Julho de 1908 e faleceu em S. Paulo - Brasil  (onde se exilou)  no dia 23 de Julho de 1972.

Nota pessoal:

Recordo, que sendo eu criança, num culto a Deus na Igreja Ev. Baptista de Leiria, o pastor - Dr. António Maurício - citou um poema de Adolfo Casais Monteiro, integrado numa pregação,  e eu, nunca mais esqueci o nome deste poeta até hoje
Ontem, alguém veio ler neste blogue um poema da  sua autoria - "Pingos de Chuva" - muito lindo por sinal, e decidi revisitar o poeta e publicar hoje este seu poema, um pouco duro mas verdadeiro.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

São demasiado pobres os nossos ricos - Mia Couto


   O poeta e escritor moçambicano Mia Couto - Fonte da imagem:www.mensagenscomamor.com

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos «ricos». Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.

O maior sonho dos nossos novos-rícos é, afinal, muito pequenito: um carro de luxo, umas efémeras cintilâncias. Mas a luxuosa viatura não pode sonhar muito, sacudida pelos buracos das avenidas. O Mercedes e o BMW não podem fazer inteiro uso dos seus brilhos, ocupados que estão em se esquivar entre chapas, muito convexos e estradas muito concavas. A existência de estradas boas dependeria de outro tipo de riqueza. Uma riqueza que servisse a cidade. E a riqueza dos nossos novos-ricos nasceu de um movimento contrário: do empobrecimento da cidade e da sociedade.

As casas de luxo dos nossos falsos ricos são menos para serem habitadas do que para serem vistas. Fizeram-se para os olhos de quem passa. Mas ao exibirem-se, assim, cheias de folhos e chibantices, acabam atraindo alheias cobiças. Por mais guardas que tenham à porta, os nossos pobres-ricos não afastam o receio das invejas e dos feitiços que essas invejas convocam. O fausto das residências não os torna imunes. Pobres dos nossos riquinhos!

São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma. O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam de ser sustentadas com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído.

Mia Couto, in 'Pensatempos'
      ( https://www.google.pt)







domingo, 30 de agosto de 2015

Porque hoje é Domingo (353)



O amor de Paulo  para com os filipenses, pelo motivo da sua fidelidade ao  evangelho.

Dou graças  ao meu Deus, todas as vezes  que me lembro de vós.
Fazendo sempre, com alegria, oração por vós, em todas as minhas súplicas.
Pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora.
Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia Jesus Cristo; como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho no meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha  graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.
Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus  Cristo.
E peço isto: que o vosso amor  abunde mais e mais, em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum, até ao dia de Cristo.
Cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.
           (Ep.  do apóstolo Paulo aos Filipenses cap.1:3 a 11)

sábado, 29 de agosto de 2015

Olá! "Alguém de Uberava" - Minas Gerais - Brasil

A Cidade de Uberava - Minas Gerais - Brasil
Olá! "Alguém de Uberava" - Minas Gerais - Brasil

Em princípio, reservarei os sábados,   para  "me meter" com alguém que vem com muita frequência visitar este humilde espaço, e que eu não faço ideia de quem seja.

Todos os dias, no registo das dez últimas visitas, eu encontro "alguém" que vem  de Uberava - Minas Gerais - Brasil.

Por isso, aqui e agora, quero saudar "esse alguém" , dizer-lhe: Muito Obrigada! e, enviar-lhe um grande e fraterno abraço

Tinha gosto em conhecê-lo/a.
Se acaso se quiser "revelar"...deixo aqui o meu contacto:
 vivianabengelsdorff@gmail.com

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Tudo muda para quem olha para Cristo


Tudo muda  para quem olha para Cristo.
Seja  na vida ou na morte, no tempo ou na eternidade;
tudo se torna em bênção, consolação e esperança. 

     (Alexandre Vinet)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

É válido 365 dias por ano - está perfeitamente na ordem do dia


É VÁLIDO 365 DIAS POR ANO.
 
Portanto, é para o dia de hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pontes de Portugal (10) Ponte de Misarela - Montalegre

Ponte de Misarela - Montalegre - Foto de  António Alves Chaves -  no blogue: kostadealhabaite.blogspot.com

PONTE DE MISARELA - MONTALEGRE

 «A bonita Ponte da Misarela situa-se sobre o cristalino rio Rabagão, em pleno Gerês, perto da Barragem da Venda Nova, mais propriamente no lugar da Misarela, freguesia de Ferral, no concelho de Montalegre.

Esta estrutura data provavelmente da época medieval, ou pelo menos de tradição arquitectónica medieval, enquadrada de forma espectacular na paisagem de densa vegetação.

A ponte está associada a uma já famosa lenda, onde o protagonista é o Diabo, daí que muitas vezes esta seja apelidada de “ponte do Diabo”. Reza a lenda que certo dia um criminoso ao fugir da justiça vê-se encurralado nos penhascos sobranceiros ao rio Rabagão. Em desespero, apelou, à ajuda do diabo, que acedeu, pedindo em troca a sua alma.
O diabo fez então aparecer uma Ponte ligando as margens do rio, passando então o criminoso, mas de seguida fazendo-a desaparecer, travando assim as autoridades.
O criminoso, arrependido, decide procurar um frade para ter a sua alma de volta. Obedecendo ao plano do frade, o criminoso volta ao lugar a pedir o auxilio do Diabo para a travessia, fazendo reaparecer a ponte. O frade benze então com água benta a Ponte, o penitente recupera a alma perdida e o diabo perde a mais uma batalha do bem contra o mal.
A ponte ficou então com um carácter sagrado, e ainda hoje se diz que se algo vai mal numa gravidez, deve a mulher pernoitar debaixo da ponte, e a primeira pessoa que pela manhã passar pela ponte deverá ser o padrinho ou madrinha da criança, que deverá receber o nome de gervásio ou Senhorinha.
De facto, regularmente vários Gervásios e Senhorinhas aqui se reúnem desde há tempos remotos, para celebrar esta lenda, que talvez lhes tenha salvo a vida!

Há quem diga que a Ponte é também apelidada de “Ponte do Diabo” ou “do inferno” por “lembrar apenas ao diabo” uma construção a esta altura e com estas configurações». 


 (No blogue - www.guiadacidade.pt ›)