sábado, 25 de abril de 2015

REGRESSO - Um poema de Miguel Torga

 Fragas do Gerês - Fonte da imagem:cabradogeres.blogspot.com
 
 REGRESSO 

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha  serra, minha dura infância! 
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!

Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei.me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.

Miguel Torga
S. Martinho de Anta, Natal de 1951  

Nota:

Natural de S. Martinho de Anta - Trás os Montes, aos 12 anos Miguel Torga emigrou para o Brasil para trabalhar com o tio que tinha uma fazenda de café. Voltou jovem, para Portugal, porém os anos vividos fora do país marcaram-no para sempre.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Uma curiosa e misteriosa placa na parede de uma casa (arredores de Leiria)

Fonte da imagem: http://dispersamente.blogspot.pt/
Ao visitar o blogue  -http://dispersamente.blogspot.pt/ - do meu amigo António, de Leiria, encontrei esta curiosa e misteriosa placa, afixada  na parede de uma casa, nos arredores de Leiria, a minha cidade da infância, onde vivi dos sete aos vinte anos.
À data, 28 - 4 - 57, eu tinha dezassete anos e vivia lá.
Já nessa altura, eu interessava-me por tudo à minha volta, e estava , de certa forma, atenta ao que ia acontecendo. Daí, eu pensar, que  com um pouco de esforço me poderia lembrar do nome da personagem registada no azulejo. Mas não, não vislumbro quem tenha sido.

Já agora, lanço daqui um pedido:
Se acaso algum amigo que por aqui passar  me saiba  dar alguma informação sobre a personagem em questão, muito grata ficaria.
Se acaso não conseguir saber, também não vem daí mal ao mundo.
Fica a curiosidade.
Mas lá que a placa é sui-géneris...é.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Muitos Parabéns meu filho Pedro pelos teus 48 anos!

O Pedro  e a sua linda família na Casa de Oração da Igreja das Boas-Novas - Amadora
O Pedro, meu primeiro filho, nasceu faz hoje 48 anos.
É um homem bom, um crente fiel, um cidadão exemplar, bom marido, bom pai, bom filho, bom irmão, bom tio, e bom genro.
Uma vida preciosa.

É sem medida, a minha gratidão para com  Deus - o -Pai.

A Ele, o entreguei, desde quando o seu corpo era apenas um grupo de células.
E entreguei-o para todo o sempre, por toda a vida, e por toda a eternidade.
Daí, eu estar tranquila e segura,  porquanto sei  que o Deus de amor dele irá continuar a cuidar.

Parabéns! Muitos Parabéns! meu querido filho.
Obrigada, por tanto cuidado, tanto carinho e tanto amor para comigo.
Um beijo da mãe

quarta-feira, 22 de abril de 2015

DEUS É A NOSSA FORÇA E CONSOLAÇÃO QUANDO ATRAVESSAMOS O VALE DAS LÁGRIMAS



“Felizes aqueles cuja força vem de Ti,
e que desejam, do coração, seguir nos Teus caminhos.
Quando atravessarem o vale de lágrimas,
farão dele um lugar de fontes,
um lugar de poços cheios das chuvas das Tuas bênçãos!”
(Salmo 84:5-6 OL)


Naquele tempo, a peregrinação ao Templo, em Jerusalém, podia incluir a  passagem pelo seco, triste, desértico, estéril 'vale de Baca', que, em hebraico, quer dizer “vale das lágrimas”. Nesse espaço árido e inóspito, não havia nenhum lugar especificamente identificado, ou seja: todo aquele vale era conhecido como “o vale das lágrimas”.
Este “vale das lágrimas” pode ser uma referência simbólica aos nossos momentos de sofrimento e lágrimas, tempos de provas e lutas pelos quais nesta vida todos temos de passar. De um modo geral, o fortalecimento da nossa fé em Deus é precedido por uma dessas difíceis jornadas através do  “vale das lágrimas”.
Em circunstâncias tão adversas, a pessoa que ama Deus e se esforça por continuar vivendo em comunhão com Ele verá na sua adversidade mais um caminho para experimentar o consolo e a fidelidade do Altíssimo. O Senhor Jesus disse: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

Se hoje estivermos caminhando no nosso ‘vale de lágrimas', porfiemos em não desistir de continuar confiando no nosso amoroso Deus. Na hora própria, veremos que essa nossa difícil peregrinação nos levará a uma mais íntima comunhão com Ele e ao consolo que, nesses momentos difíceis, só no Eterno podemos encontrar. 

Quaisquer que sejam as circunstâncias das nossas vidas, Deus nunca abandonará  os Seus filhos muito amados, porque Ele mesmo declarou: "por motivo algum te abandonarei, nunca jamais te desampararei” (Hebreus 13:5). 

(beap)

   (Pastor João Serafim Regueiras - no blogue - http://jsr-igreja.blogspot.pt/)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Lâmpada votiva - um poema de Vasco Graça Moura

Vasco  Graça Moura

lâmpada votiva

1. teve longa agonia a minha mãe

teve longa agonia a minha mãe:
seu ser tornou-se um puro sofrimento
e a sua voz apenas um lamento
sombrio e lancinante, mas ninguém

podia fazer nada, era novembro,
levou-a o sol da tarde quando a face
lhe serenou, foi como se acordasse
outra espessura dela em mim. relembro

sombras e risos, coisas pequenas, nadas,
e horas graves da infância e idade adulta
que este silêncio oculta e desoculta
nessas pobres feições desfiguradas.

quanta canção perdida se procura,
quanta encontrada em lágrimas murmura.


2. e não queria ser vista e foi envolta

e não queria ser vista e foi envolta
num lençol branco em suas dobras leves,
pus junto dela algumas rosas breves
e a lembrança represa ficou solta

e foi à desfilada. De repente,
a minha mãe já não estava morta:
era o vulto que à noite se recorta
na luz do corredor, se está doente

algum de nós, a mão que pousa e traz
algum sossego à fronte, a voz que chama
para o almoço, ou nos tira da cama,
quem nos trata das roupas, ou nos faz,

bolos de anos e as malas, na partida,
e a quem a voz tremia à despedida


3. agora deu-se à terra o que é da terra

agora deu-se à terra o que é da terra
e as flores amontoam-se em sinal
de ser fugaz a vida, sobre a cal.
e enquanto cada dia desaferra,

com seu sopro bravio virão ventos
e as gaivotas, levando-lhe outras vozes,
uivos do mar, pios, metamorfoses,
nada ela escutará nesses momentos.

haverá fumo e fogo, deslembranças,
ecos, recordações, nuvens, ruídos,
outros cortejos tristes, recolhidos,
ali por perto hão-de brincar crianças

num jogo descuidado, um grupo vence-o.
mas fica a minha mãe posta em silêncio.

4. agora dorme e vai ficar assim



agora dorme e vai ficar assim,
imóvel e coberta. Já regressa
o carro que avançava tão depressa
na estrada por que vou e por que vim

às tantas da manhã, e tresnoitados
meus irmãos aguardavam-me à chegada,
sem esperança ou alegria, sem mais nada,
senão minutos tensos e contados.

depois os rituais, o respirar
tão a custo, os membros que se arqueiam
e distendem, e os vultos que rodeiam
a muda sombra vindo devagar.

beijei-lhe a fronte e fiz-lhe um leve afago:
do pouco que levei, tudo o que trago.

5. poderá ter morrido, ressuscita


poderá ter morrido, ressuscita
neste lugar humano, pobre fio
de água verbal que vai a medo, hesita,
e teme desmedir-se como um rio.

e muita coisa nele se derrama,
dita e não dita, pressentida, densas
aluviões, emaranhada trama
de obscuras raízes e presenças.

virão dias, semanas, meses, anos,
e os ciclos dos astros indiferentes,
mover-se-ão na mesma os oceanos
e as placas que sustentam continentes.

mola do mundo, o coração aviva
a chama desta lâmpada votiva.

Vasco Graça Moura, in 'Antologia Poética'

Portugal
3 Jan 1942 // 27 Abr 2014
Escritor/Poeta/Ensaísta/
Tradutor/Político

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Conhecem a planta Asphodelus Bento-Raínhae?

Fonte da imagem: http:/ /viabologta.blogs
Fonte da imagem: http://viagensdaminhaobjectiva.blogspot.pt
 A Planta Asphodelus Bento-Raínhae  Fonte da imagem. http://viagensdaminhaobjectiva.blogspot.pt
Não me lembro de a ver  na zona da cidade de Leiria, onde cresci. Foi na "minha aldeia" - Maceira - Pero-Pinheiro - que a descobri, há muitos, muitos anos, quando em 1954 os meus pais para ali foram morar.
"Apaixonei-me" por ela,  foi mesmo "amor à primeira vista". Nessa altura, e durante bastante tempo, havia-as com abundância, agora nem por isso. Vi algumas há dias, num pinhal à beira da estrada Maceira - Pero Pinheiro.
Vim a descobrir "algumas", poucas, aqui na zona de Mira-Sintra onde vivo.
Há muito tempo, o sr. Valentim de Maceira, informou-me que o suco  das suas raízes, ou rizoma, eram usados no tratamento das doenças da pele como o Eczema..  Nunca experimentei usá-la na minha "querida Psoríase", mas desejo-fazê-lo um dia destes. Acredito na sabedoria popular do saudoso sr. Valentim.

Nunca soube o seu nome, só hoje, casualmente, ao procurar na internet "Plantas dos bosques". fui surpreendida por ela. Pesquisei então em vários sites e descobri sobre ela pormenores interessantes, tais como:

No blogue -  http://bologta.blogspot.pt:

" A espécie Asphodelus bento-rainhae é uma planta que existe apenas na Serra da Gardunha (Fundão).
Não nos estamos a referir à sua distribuição em Portugal, mas antes à sua distribuição mundial. Não existe mais nenhum local do mundo onde esta planta possa ser encontrada.

Fonte da imagem: http://bologta.blogspot.pt:
A abrótea (abrótega, gamão ou bengala de S.José) distribui-se dos 530 aos 810 metros de altitude nas encostas com exposição a Norte e Noroeste desta serra.
Tem como habitat natural o sub-bosque de carvalhais (de carvalho-negral e/ou de carvalho-alvarinho) ou castinçais (de castanheiros), preferencialmente de cobertura pouco densa, atingindo frequentemente a orla herbácea destes bosques.

 A época de floração desta planta da família das Liliáceas decorre de Abril a Maio.
Devido à diminuição do seu habitat e à reduzidíssima área de distribuição, o seu estatuto de conservação é considerado Em Perigo Crítico de Extinção.

 Existem outras espécies de Asphodelus no nosso país (ex: A. albus; A. ramosus; A. serotinus) que são muito semelhantes a A. bento-rainhae. No entanto, esta espécie distingue-se das anteriores por apresentar tubérculos sésseis e cápsulas mitriformes. Individuos com estas caracterísiticas encontarm-se exclusivamente na Serra da Gardunha.
Na Serra da Malcata (e imediações), que conheço muitissimo bem, encontram-se algumas manchas de carvalhais autóctones bem conservadas que seria importante expandir, nem que seja para contarbalançar a enorme implantação de floresta de produção que aí se encontra.(. ( http://bologta.blogspot.pt:)


no blogue . http://viagensdaminhaobjectiva.blogspot.pt :

O tempo começa a aquecer, a Primavera chegou. Estamos em Abril e os cerejais começam a florir e cobrem, uma vez mais, a Serra da Gardunha de branco.
Abril floresce também uma espécie endémica da Gardunha, Asphodelus Bento-Rainha, ela também senhora desta bela Serra.
Infelizmente esta planta encontra-se em vias de extinção. O Homem cada vez mais ocupa o seu espaço e o seu habitat vai reduzindo. Outrora embelezava toda a encosta Norte desta nossa Serra, hoje em dia encontra-se confinada a uma pequena parcela onde o Homem ainda não conseguiu chegar.
Asphodelus Bento-Rainha, uma planta só nossa, Beirã, Serrana, selvagem e bela em todo o seu esplendor.

    ( http://viagensdaminhaobjectiva.blogspot.pt/)

 Depois de ler sobre esta interessante planta portuguesa, creio que vou ter que tomar algumas medidas, no sentido de fazer o que estiver ao meu alcance  para  que seja preservada. Começarei aqui por a minha Junta de Freguesia e depois pela Câmara Municipal de Sintra e Junta de Freguesia de Maceira-Pero Pinheiro.

Então não é que descobri aqui em  Mira-Sintra uma espécie semelhante mas mais pequena, muito mais pequena!? Tenho que, quanto antes ir fotografá-la e falar com o meu amigo Francisco Clamote do blogue -

domingo, 19 de abril de 2015

Porque hoje é Domingo (335)

Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espéctaculo do mundo, aos anjos e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes, vós ilustres e nós vis. Até esta presente hora sofremos fome, e sede, estamos nus e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa. E nos afadigamos, trabalhando  com as nossas próprias mãos Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos:  Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.
Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados.Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo. Admoesto-vos, portanto  a que sejauis meus imitadores...

...Porque o reino de Deus não consiste  em palavras, mas em poder.

(I Epístola de S. Paulo aos Coríntios cap. 4:9 a 16 e 20)